Não

É muito interessante o quanto, por vezes, lutamos insistentemente pelos sonhos do passado. Ficamos lá lembrando o quanto era bom, o quanto eramos felizes ou realizados, deixando de perceber outras tantas possibilidades que podemos ter quando escolhemos desapegar e confiar.

Ouvir um não é difícil.

Ver uma porta querida fechada também.

Porém, se conseguirmos silenciar a mente e o coração poderemos perceber verdadeiramente quais caminhos dialogam mais ou menos conosco.

Talvez aquela expectativa de alegria guardaria mais toxicidade do que completude.

Talvez o que a gente julga NOSSO pode ser menos do que merecemos ou mais do que estamos prontos a materializar.

Independente do tamanho da sua ou da nossa dor acredita:

– ela passa.

E quando a tempestade passar o sol clareará para ti e para mim o caminho certo para seguir. Yve Oliveira

O retrato de um Brasil medieval

Legião_Urbana_-_V

Melancólico, soturno, de estética progressiva. O álbum V da banda Legião Urbana é um documentário musicado de um país politicamente em retrocesso.

O épico legionário-medieval é marcado pela vinheta Love Song que evoca a saga de um cavaleiro enfrentando a “verdade que assombra, o descaso que condena e a estupidez que destrói” o seu povo e sua dignidade.

A realidade é que a crise econômica brasileira causada pelo Plano Collor que congelou todas as contas correntes, cadernetas de poupança e aplicações financeiras dos brasileiros por 18 meses, bem como o desalento coletivo e o pânico gerado pela eclosão da Aids provocaram no poeta Renato Russo a visão de um ‘Brasil Medieval’ retratado nas 10 canções do álbum lançado há 28 anos, em novembro de 1991.

Em oposição ao alegre e espiritual Quatro Estações, onde o amor, a luz e a esperança pareciam emergentes, o V narra o ponto de vista das sombras, da chamada “noite escura da alma” citada na obra de São João da Cruz.

A segunda música do V, Metal Contra as Nuvens, chega como um estrondo gritando metaforicamente o cenário social do ‘Brasil confiscado’, contextualizado na 5ª faixa O Teatro dos Vampiros (…) “vamos sair – mas não temos mais dinheiro. Os meus amigos estão procurando emprego. Voltamos a viver como há dez anos atrás e a cada hora que passa envelhecemos dez semanas”.

A suíte, estilo musical renascentista de 11m20 de duração, é dividida em 4 partes e contou, segundo o catálogo Legião Urbana V da Abril Coleções, com a participação de mais de 40 músicos. Complementa-se a ela, a faixa 3, A Ordem dos Templários (Instrumental).

É sabido que, além dos fatores políticos, Renato havia, no mesmo período, reconhecido a necessidade de cuidar de sua dependência química e encarado suas fragilidades em um Centro de Tratamento, onde também acabou descobrindo ser portador do vírus HIV.

A situação nitidamente potencializou a escrita catártica das canções do V, como uma pós alucinação desesperada retratada em A Montanha Mágica, título inspirado no Livro homônimo do escritor alemão Thomas Mann.

Ali, o eu lírico do autor encara o inferno e nos oportuniza percebermos as nossas próprias dependências. “Existe um descontrole que corrompe e cresce”. “O que é que desvirtua e ensina? O que fizemos de nossas próprias vidas?”.

Ainda inspirado por Thomas Mann, agora em Morte em Veneza, Renato Russo apresenta Sereníssima que traz uma quebra na narrativa do álbum e conta de forma indireta e bem-humorada a relação do poeta com o seu ‘muso inspirador’, tal qual em Vento no Litoral e em O mundo anda tão complicado.

Como a culminância da jornada do herói temos L’Âge D’Or, a penúltima faixa do V. A música tem o título inspirado no filme francês Idade do Ouro e traz as reflexões da jornada e impressões dos aprendizados adquiridos no caminho.

“Se a sorte foi um dia alheia ao meu sustento não houve harmonia entre ação e pensamento”. “Já tentei muitas coisas, de heroína a Jesus. Tudo que já fiz foi por vaidade”. “Não é belo todo e qualquer mistério? O maior segredo é não haver mistério algum”.

Em uma transição da experiência vivenciada pela personagem do Álbum, a canção Come to share my life (instrumental) complementa sinestesicamente a reflexão de que, tal qual a história do herói épico, a nossa jornada nunca acaba. Sempre viveremos absortos no grande mistério da existência.

O Álbum V foi produzido por Mayrton Bahia e vendeu mais de 700 mil cópias, sendo Teatro dos Vampiros e Vento no Litoral as mais tocadas nas rádios.

Como afirma a citação do músico Brian Jones, no final do encarte, o V é uma obra prima que revela como “o fraco psiquismo da civilização ocidental tem formado muitos de nós”.

Yve de Oliveira

Urbana Legio Omnia Vincit

 

Ninguém segura uma mulher segura

Umbigo

O mundo é todo meu!

Sempre tive problemas de relacionamento com a minha barriga.

Discutíamos por tudo, principalmente quanto a sua teimosia. Rsrs

A sua forma, não era aquilo que eu tinha imaginado, ou, melhor, era diferente do publicado nas revistas como modelo, perfeito e universal.

Era mole, sem músculos definidos. Uma pochetinha inadequada.

Uma vergonha para mim. Por isso, nunca o mostrava para ninguém! Ficava imaginando que todos os julgamentos que eu tinha imposto a mim saíam da boca dos meus amigos, namoradinhos, familiares.

E esse sentimento era um peso.

Na adolescência fizemos as pazes e achei, enfim que a amizade duraria para sempre.

Porém, quando eu engravidei e engordei 33 kg o mundo voltou a ficar pequeno para nós duas.

Foi um choque e uma luta perceber que o que antes eu achava ruim, era ótimo.

Não foi fácil o processo de auto aceitação, foram anos oscilando o peso e a indignação.

Depois de diversas terapias e boas conversas chegamos a um combinado. Que podíamos encontrar um caminho do meio para caminharmos bem juntas e em paz!

Eliminamos os nossos excessos: raivas, mágoas, invejas, culpas.

Aos poucos, ela foi encontrando uma maneira mais leve de ser e eu também.

Hoje sou grata por ela ter sido a casa que nutriu o meu filho por 9 meses e por ser tão leal ao nosso combinado de ser a cada dia uma versão melhor de si mesma.

Comecei a deixar os velhos tabus de lado e iniciei um movimento de colocar o meu corpo para jogo!

Orgulhosa dela e muuuuuito mais feliz por não ter mais vergonha de mim.

Texto e foto: Yve de Oliveira

 

Escutar para além das orelhas

As gentes só escutam o que querem

Ou o que podem entender do que escutam.

Ouvir atualmente,

vem sendo um ato prodigioso,

Quase imaculado!

Receber o que vem do outro em nossos tempos, sem julgamento, seria talento, uma meta ou utopia?

Quem sabe um mantra para todos os dias:

– Sempre escute para além das orelhas.

Texto: Yve de Oliveira

A Foto revela uma das boas conversas que tive com o escritor Ignácio de Loyola Brandão #gratidãomundo

Créditos: Maurício Burim 

Conversei com o meu filho sobre Fake News e olha no que deu

Oi!!

Assista o primeiro episódio da minha nova série de vídeos chamada Conversas de Segunda!

O tema da vez é FAKE NEWS!

Assista, comente e compartilhe com os seus manos e manas!

Sobre algumas verdades…

Eu sempre fui apaixonada por arte, música, moda, cores, estilo e tudo o que envolve esse universo, mas durante um bom tempo eu acreditei que gostar especificamente de moda era ser fútil e pouco inteligente.

Então foquei toda a minha atenção em “academizar” os meus ofícios; Queria ser “a inteligente”. (Inclusive, já até fiz um texto sobre as minhas vontades de ser artista lá no meu site)

Mas artista é o que eu sou!

Sou escritora, clown de formação, menestrel e cantora de ‘karaokês’ e rodas de violão.

Porém, o que eu gostaria de confessar é que a minha diversão na área que sou apaixonada comunicação, além da política (senhor!!!! haha) é observar como as pessoas se expressam na escolha do vestuário.

É estudar as cartelas de cores e ficar recombinando também a maquiagem. É analisar a história da música através do estilo e tudo o que envolve isso e ainda de quebra, dar dicas de moda para as amigas.

Mas, nunca escrevi sobre isso. Tampouco escrevi um blog com este objetivo.

Medo de me acharem ridícula? Fútil? Uma libriana alienada?

Não sei.

É claro que na Moda existem diversas problematizações sociais, políticas e econômicas que são muito menos simplórias do que aparenta ser a escolha de uma camiseta ou um blazer para ir comprar um pão.

E escolher apenas os temas ditos importantes para me dedicar não vão me tornar uma pessoa melhor ou pior para a humanidade.

Com combinações de cores não se salva o mundo.

Talvez fosse uma grande pretensão minha até o momento, inclusive.

As máscaras dos meus grupos sociais (educação, jornalismo e cultura perdoariam isso?)

A mim, neste momento, pouco importa.

Sabe, ás vezes vale usar espaços públicos como as redes sociais para mostrar as nossas reais facetas e interesses. Deixar de lado aquilo que se espera de nós é uma forma de exercitar a nossa liberdade.

Ah, e estou fazendo um curso de consultoria de moda bem legal.

Quem sabe deveria mudar de área completamente?

Me tornar uma pop star? Uma empresária do ramo de calçados? Uma maquiadora? Uma blogueira fashion?

Uma modelo de uma marca italiana? Continuar entrevistando e fotografando os manos do rock ou ajudá-los a compor suas músicas, seus looks de espetáculo? Tudo isso ao mesmo tempo?

Sei lá…

Só o tempo dirá! haha

Sobre as três perguntas que não querem calar

Neste vídeo respondo as 3 perguntas mais frequentes sobre o meu livro Yo Você We – Minhas Experiências com o amor! ❤
Assista e compartilhe com os amantes da literatura!
Ah, para fazer o download gratuito acesse: https://lugardefala.com/…/yo-voce-we-minhas-experiencias-c…/
PS: Corrigi o título do vídeo, mas o youtube não quer atualizar, entãoooo, o que está errado agora está certo! hahaha